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Página 1 de 3 Era o dia 09 de abril de 1848, quando em Vich, Barcelona (Espanha), nascia Carmen Sallés, num lar profundamente católico. Destacou-se desde pequena por uma grande devoção e amor a Maria Imaculada, mãe de Jesus. Em 1892, com mais três companheiras, Madre Carmen dá início à Congregação Concepcionista Missionária do Ensino, orientando-a para a educação da infância e da juventude e a vivência e propagação do amor e a devoção à Mãe de Jesus, no mistério de sua Conceição Imaculada. Viveu toda a sua vida a serviço da Igreja, na área da educação, educação esta como caminho de libertação, especialmente para a mulher, na época relegada a segundo plano, em sua formação. O carisma que Madre Carmen recebeu de Deus continua hoje, vivo em cada obra, em cada membro da grande Família Concepcionista. Após sua morte (25.07.1911), aos poucos, a Congregação foi-se espalhando pelo mundo e hoje se encontra em vários países. Corria o ano do Senhor 1912. O Revmo. Sr. Cônego Antônio Dutra de Paiva, pároco desta cidade, dedicado e virtuoso, um dos melhores ornamentos do clero da Diocese de Pouso Alegre, encontrava-se acabrunhado com a responsabilidade espiritual a lhe abrumar o coração, vendo a ignorância rude do povo, tanto para o humano quanto para o divino. Raramente subia de uma dezena o auditório na missa dominical. Podemos considerar sua vinda para Machado como uma graça de Deus, porque veio despertar e reflorescer o catolicismo tão seriamente prejudicado. Dirigiu-se então o Revmo. Pároco a Pouso Alegre onde residia o Exmo. Sr. Bispo Diocesano Dom Antônio de Assis, e ante a impossibilidade de fazer fruto nas almas nesta Paróquia, devido ao afastamento do povo aos atos de piedade, disse a Sua Excia. Revma. ver-se-ia forçado a abandonar a Paróquia de Santo Antônio do Machado caso não se abrisse aqui, um Colégio de Irmãs para semear no coração da criança, a fé cristã. Conhecidas as Religiosas Concepcionistas do Ensino dos Padres Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Claretianos), residentes em Pouso Alegre, estes se encarregaram de pedir na Espanha, Madrid, à Superiora Geral das Religiosas Concepcionistas, a abertura de um colégio em terras brasileiras, e destas, num rincão de Minas, Machado. Começou então, o movimento para proporcionar um colégio à cidade. E vieram as Irmãs. Saíram de Almeria, na Espanha, no dia 29 de junho de 1912, no navio "Laura Trieste" e no dia 18 de julho do mesmo ano chegaram ao Rio de Janeiro.
E no dia 22 de julho de 1912 entravam pelas portas desta cidade, acompanhadas do Revmo. Padre Enrique Moné, (Filhos do Imaculado Coração de Maria - Claretianos), de saudosa memória, sete Religiosas Concepcionistas do Ensino, muito jovens ainda, todas cheias de entusiasmo, cheia de temores. Não sabiam a língua, não conheciam os costumes da terra. Machado foi o primeiro porto para estas Reverendíssimas Irmãs como foi Porto Seguro na descoberta do Brasil. São elas as fundadoras de nosso Colégio: Madre Maria Hualde, delegada da Superiora Geral do Instituto; Madre Caridade Alonso, Superiora da Casa; Sor. Mercedes Dávila, Sor. Manuela Fauste, Sor. Adoración Gastón, Sor. Mariana Cuenca e a Irmã Rosário Villalba. Houve festas, discursos, saudações e promessas da parte da comissão que as recebeu. Comissão que, de início, constituída de muitos membros que se reduziu depois, a alguns poucos, dentre os quais o Colégio deve gratidão imorredoura: Sr. Joaquim Pereira Lima, Sr. Lindolfo de Sousa Dias, Dr. Gabriel Teixeira, Jerônimo da Silva Passos. A princípio instalaram-se as Religiosas numa casa dada pelo povo, sita à Rua Coronel Flávio, 259. Mais tarde, um outro terreno foi comprado por 28 contos: 27 emprestados pelo Sr. Comendador Lindolfo de Sousa Dias e 1 dado pelo Sr. Joaquim Pereira Lima. Para começar o edifício emprestou-lhes o mesmo Sr. Lindolfo de Sousa Dias 13 contos. E no dia 10 de fevereiro de 1924 colocou-se a pedra fundamental, em cerimônia solene, e no dia 17 de junho de 1925, inaugurou-se o novo colégio sito à Rua Professor José Cândido, 238. Sem querer ferir a modéstia do Sr. Comendador Lindolfo e fazendo jus à justiça, ele foi sempre o pano de fundo de lágrimas das Religiosas Concepcionistas. No primeiro ano de sua estância em Machado as Irmãs passaram fome; porém lembrando-se das palavras divinas: "Buscai ante tudo o Reino de Deus e Sua justiça e o resto se vos dará por acréscimo". "O Cônego Dutra organizou muitas festinhas nas fazendas e sítios, as quais consistiam de santas missas, batizados, casamentos, após leilões, cujos resultados revertiam em benefício do Colégio das Concepcionistas, ora fundado, em fase de organização. Acompanhava sempre o Revmo. Cônego Dutra um acólito, sendo os mais preferidos Hugo Bressane de Araújo e Otaviano de Paiva Reis que, ainda se lembrava, quase 50 anos depois, das fazendas onde estivera com o Cônego e cita-as em seu artigo "Paróquia de Machado" em "O Jubileu de Ouro", de cinqüentenário. Chegou o dia da Imaculada Conceição, festa máxima da Congregação e da Espanha também, Padroeira do Instituto. A Irmã cozinheira avisou a Madre Superiora que nada havia para dar de comer às Religiosas. "Vamos ouvir missa em honra de Nossa Imaculada Mãe, minhas filhas, que Ela se lembrará de nós", foi a resposta da Madre Superiora. De fato, Maria Santíssima não se deixou vencer em generosidade. Ao voltarem da Igreja, encontraram uma cesta com ovos e outros comestíveis mandada por Dona Olímpia Gabriela Teixeira. As Madres sempre lembravam penhoradas esse ato generoso. Até 1918, a vida foi dura demais: as alunas eram pouquíssimas, dificuldades de toda sorte, má alimentação e incompreensão de muitos. Nesta época, o Cônego Dutra foi transferido para outra cidade e, embora tenha vindo o Padre Eduardo Batista, já não era como o Cônego Dutra que queria às Religiosas como carinho de pai, pois que as trouxera de tão longe para cá. |